O sistema de vendas não registra pedidos, um cliente está cadastrado de três formas, e o relatório depende de planilhas copiadas manualmente. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO e especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, explica que situações como essas revelam um dos custos mais subestimados da operação digital: a falta de integração entre sistemas.
Ao longo dos anos, as empresas adotaram plataformas para resolver necessidades específicas, como gestão financeira, atendimento, comércio eletrônico, recursos humanos e logística. Cada uma funciona bem isoladamente, porém, sem conexão entre elas, os dados ficam fragmentados e o trabalho de reunir as informações recai sobre os colaboradores.
Esse custo, contudo, raramente aparece nos orçamentos de tecnologia, pois está diluído em horas de trabalho manual, erros operacionais e decisões tomadas com informações incompletas. A seguir, você vai conferir como ele se forma e quais caminhos ajudam a reduzi-lo.
Os custos operacionais por trás dos dados fragmentados
O efeito mais notável é o trabalho manual. As equipes dedicam horas a exportar dados de um sistema, ajustar formatos em planilhas e importar informações em outra plataforma. Além de demandar tempo, esse processo pode resultar em erros de digitação, versões desatualizadas e divergências entre áreas que deveriam consultar a mesma informação.
A qualidade das decisões também é afetada. Conforme observado por Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, ao trabalharmos com nossos próprios números em cada área, as reuniões de gestão acabam dedicadas à conciliação de dados, em vez de análise de cenários. Os projetos de inteligência artificial enfrentam uma questão similar, visto que modelos treinados com informações incompletas ou inconsistentes geram resultados com baixa confiabilidade.
Ademais, há riscos de segurança da informação e de conformidade. A dispersão de dados pessoais em planilhas, cópias locais e sistemas sem controle centralizado dificulta o cumprimento das exigências da LGPD, como atender a pedidos de exclusão ou saber exatamente onde determinada informação está armazenada.
O planejamento necessário para integrar sistemas
O primeiro passo é mapear os sistemas existentes, os dados armazenados em cada um e os processos que dependem de transferências manuais. Esse diagnóstico revela as integrações mais urgentes, normalmente aquelas que envolvem informações críticas, como clientes, pedidos e finanças, e as que consomem mais horas das equipes.

Ademais, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em software e inteligência artificial, aponta que integrações feitas ponto a ponto, conectando cada sistema diretamente a outro, tendem a criar uma rede frágil e difícil de manter. Arquiteturas baseadas em APIs bem documentadas, plataformas de integração e eventos compartilhados oferecem mais controle e facilitam a substituição de sistemas no futuro.
A governança de dados complementa esse trabalho. A definição do sistema como fonte oficial de cada informação, a padronização dos cadastros e a definição de responsáveis pela qualidade dos dados são medidas essenciais para evitar que a integração apenas transporte inconsistências de um lugar para outro com mais velocidade.
Integração como base da operação digital
Para tanto, a experiência de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira como CTO é fundamental para compreender por que a integração entre sistemas deve ser tratada como parte da estratégia de tecnologia, com planejamento, prioridades e responsáveis definidos. Dados conectados proporcionam processos mais ágeis, decisões mais confiáveis e projetos de inteligência artificial aplicada com resultados consistentes.
É importante ressaltar que o custo da fragmentação está presente mesmo quando não é possível identificá-lo em uma linha do orçamento. Esse tipo de questão se manifesta em horas desperdiçadas, erros que chegam ao cliente e oportunidades que deixam de ser percebidas por falta de informação consolidada.
Para reduzir tal custo, é necessário realizar um diagnóstico, desenvolver uma arquitetura adequada e estabelecer regras claras sobre os dados. Quando os sistemas compartilham informações de forma confiável, as equipes podem se dedicar a atividades mais importantes e a empresa obtém uma visão mais precisa da sua operação.
