Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, observa que os espaços mais marcantes da vida de uma pessoa raramente são os mais caros ou os mais tecnológicos. São aqueles que transmitem acolhimento, identidade e sensação de pertencimento. A arquitetura afetiva parte exatamente desse princípio: projetar ambientes que toquem as pessoas emocionalmente e que permaneçam vivos na memória muito depois de serem habitados. Este artigo explora o que define essa abordagem, como ela se aplica na prática e por que ela representa o futuro do design de interiores e da decoração de eventos.
O que é arquitetura afetiva e como ela se diferencia do design tradicional?
Para Daugliesi Giacomasi Souza, a arquitetura afetiva é uma abordagem projetual que coloca as emoções e o bem-estar das pessoas no centro das decisões criativas. Enquanto o design tradicional frequentemente prioriza funcionalidade e estética visual, a arquitetura afetiva investiga como o espaço impacta o estado emocional de quem o ocupa.
Essa perspectiva não exclui a beleza nem a técnica. Pelo contrário, ela as potencializa ao adicionar uma camada de significado que transforma ambientes comuns em espaços de experiência. A diferença está na pergunta que orienta o projeto: em vez de perguntar apenas como o espaço vai parecer, o profissional passa a perguntar como ele vai fazer as pessoas se sentirem ao habitá-lo.
De que forma os espaços constroem memória emocional?
A neurociência já demonstrou que memórias emocionais são mais duradouras e vívidas do que memórias puramente cognitivas. Quando um ambiente ativa múltiplos sentidos ao mesmo tempo, ele cria registros afetivos profundos que associam o espaço a sensações positivas. Aromas, texturas, sons e cores trabalham de forma integrada para construir uma experiência que vai além do visual e se instala na memória afetiva de quem esteve presente.

Daugliesi Giacomasi Souza observa esse conceito tanto em projetos de decoração de eventos quanto em ambientes residenciais e comerciais. Para a fundadora da DGdecor, cada projeto começa com uma escuta cuidadosa das histórias e dos valores do cliente, porque é nessa escuta que surgem os elementos capazes de transformar um espaço em algo verdadeiramente pessoal e emocionalmente significativo.
Quais elementos construtivos e decorativos promovem bem-estar nos ambientes?
Alguns elementos têm impacto comprovado no bem-estar emocional de quem ocupa um espaço. A luz natural é um dos mais poderosos: ambientes bem iluminados pelo sol reduzem a sensação de ansiedade e aumentam a disposição. O uso de materiais naturais como madeira, pedra e fibras vegetais também contribui para uma atmosfera de calma e conexão com o ambiente, criando contraste saudável com a rigidez do concreto e do vidro.
Daugliesi Giacomasi Souza destaca ainda a importância das proporções e do equilíbrio visual na composição dos ambientes. Espaços sobrecarregados de informação visual geram desconforto, enquanto ambientes com hierarquia clara de elementos transmitem serenidade e organização. O bem-estar começa quando o olhar encontra ordem e o corpo encontra conforto, sem precisar processar estímulos desnecessários.
Como a arquitetura afetiva se aplica a eventos e celebrações?
No contexto de festas e eventos, a arquitetura afetiva se manifesta na capacidade de criar ambiências que guiam emocionalmente os convidados ao longo da celebração. Cada zona do espaço pode ser projetada para provocar um estado emocional diferente: acolhimento na entrada, euforia na pista de dança, intimidade nas mesas de conversa. Esse mapeamento emocional do espaço é o que diferencia um evento comum de uma experiência inesquecível.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, a arquitetura afetiva aplicada a eventos é uma forma de cuidado com as pessoas. Projetar um espaço que respeita as emoções dos convidados, que oferece conforto e beleza ao mesmo tempo, é uma decisão ética e estética. Quando o ambiente dialoga com quem está nele, a celebração ganha profundidade e o momento se transforma em memória afetiva que permanece muito além do último abraço da festa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
