A taxa de juros anunciada por uma instituição financeira raramente é o custo real de um financiamento. Entre o percentual da propaganda e o valor efetivamente pago ao longo do contrato, há uma distância considerável, preenchida por seguros obrigatórios, tarifas administrativas, IOF e outros encargos que só aparecem nas letras miúdas. O empresário Tiago Oliva Schietti demonstra um ponto da discussão de grande importância: a necessidade de analisar o Custo Efetivo Total antes de assinar qualquer contrato de crédito. O CET é o custo real de uma operação de crédito que engloba juros, tarifas, tributos, seguros e despesas adicionais, permitindo comparar propostas de diferentes bancos com transparência.
Em um cenário de juros persistentemente elevados, como o de 2026, ignorar esse indicador pode significar pagar muito mais do que o necessário por um bem. Se interessou em saber mais? Confira o conteúdo a seguir!
O que o CET revela que a taxa de juros esconde?
A taxa de juros nominal é apenas o ponto de partida do custo de um financiamento. O CET representa a soma de todos os encargos, tarifas e custos envolvidos em uma operação de crédito, revelando o valor real que o consumidor assume ao contratar um financiamento. Dois contratos com a mesma taxa de juros podem ter valores finais bem diferentes, dependendo dos custos embutidos.
No financiamento imobiliário, os componentes que elevam o CET além dos juros incluem o seguro de morte e invalidez permanente, o seguro de danos físicos ao imóvel, a tarifa de avaliação do bem e as tarifas de abertura de crédito. O CET soma a taxa de juros do banco, os seguros obrigatórios e as taxas administrativas. É por isso que, no fim de três décadas, o comprador pode acabar pagando o equivalente a dois imóveis. Conforme destaca Tiago Oliva Schietti, a comparação honesta entre consórcio e financiamento só é possível quando o CET do financiamento está claro, e não apenas a taxa de juros nominal que aparece nos anúncios.
Como o consórcio se comporta diante do CET?
O consórcio não é uma operação de crédito no sentido técnico regulado pelo Banco Central para fins de CET. Ainda assim, o conceito de custo efetivo total se aplica à comparação, dado que o consorciado paga a taxa de administração, que pode incluir fundo de reserva e, em alguns contratos, seguro de vida. A taxa de administração é o valor pago à administradora pelo trabalho realizado na formação, organização e administração do grupo de consórcio. Essa taxa costuma ser bem mais baixa em comparação com outras modalidades de crédito, o que reduz o CET.
Em termos práticos, a diferença de custo total entre as duas modalidades é expressiva. Em uma simulação de consórcio imobiliário de R$ 300 mil em 200 meses, com taxa de administração de 20% distribuída ao longo do período, o custo total chega a R$ 375 mil, um acréscimo de 25% sobre o valor original. No financiamento com CET de 13% ao ano, o mesmo imóvel pode custar substancialmente mais ao final do contrato, o que, na prática, equivale a comprar um segundo imóvel para pagar ao banco. Na concepção de Tiago Oliva Schietti, empresário, essa diferença percentual acumulada ao longo de décadas é o argumento mais concreto a favor do consórcio para quem pode planejar a aquisição com antecedência.

Como usar o CET na prática antes de contratar?
O Banco Central obriga as instituições financeiras a informar o CET antes da assinatura do contrato. Por lei, toda instituição financeira é obrigada a informar o CET nas simulações e nos contratos de crédito. Essa exigência foi criada pelo Banco Central para garantir mais transparência e permitir que o consumidor compare diferentes opções de forma justa.
Na prática, o consumidor deve solicitar a planilha de simulação completa, identificar a linha do CET anual e utilizar esse número, e não a taxa de juros nominal, como base de comparação entre propostas. É fundamental fazer uma pesquisa antes de escolher a instituição financeira, comparando todas as tarifas e não contratando nenhuma proposta antes de analisar o CET de cada uma. Para Tiago Oliva Schietti, esse exercício de leitura crítica do contrato é parte essencial de qualquer processo de tomada de decisão financeira, seja para um financiamento, seja para avaliar se o consórcio representa, de fato, uma alternativa mais econômica no cenário específico de cada pessoa.
O CET como ponto de partida para comparar consórcio e financiamento
Compreender o CET transforma a comparação entre consórcio e financiamento em um exercício muito mais objetivo. De um lado, o financiamento com todos os seus encargos explicitados no CET. Do outro, o consórcio, com sua estrutura de custo linear, sem juros compostos e com taxa de administração fixada em contrato. O consórcio utiliza cálculo linear sem juros compostos, enquanto o financiamento utiliza juros compostos com taxas médias para imóveis entre 10% e 12% ao ano e para veículos entre 18% e 25% ao ano, conforme dados do Banco Central para 2026.
A urgência de uso do bem continua sendo o principal fator que pode justificar o custo adicional do financiamento. Mas, quando há tempo para planejar e a decisão pode ser tomada com base em números reais, o CET funciona como o instrumento mais honesto de comparação disponível. É exatamente esse tipo de análise que, segundo a perspectiva de Tiago Oliva Schietti, separa uma contratação consciente de uma decisão tomada com base apenas na facilidade da parcela inicial.
