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refugiados

Ricardo Gondim

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com o apoio do inglês Tony Blair, ordenou que tropas da “coalizão” invadissem o Iraque. O dia 19 de março de 2003 ficará na história com uma nódoa. Dia nefasto. Os primeiros mísseis devastaram Bagdá e o mundo embiocou para pior. De lá para cá, miséria, ódio, violência, intolerância religiosa recrudesceram em toda a região. Hoje, só não escrevo um texto com um, “eu não disse?”, porque seria redundante.

Bush e Blair insistiram em afirmar que Saddam Hussein estocava armas de destruição em massa. Mentira. Os conselheiros do Pentágono não tremiam um músculo do rosto ao dizerem que Saddam era um novo Hitler. Depois que o país, onde um dia foi a Mesopotâmia, foi reduzido a escombros, pipocaram aqui e ali denúncias de que tudo não passava de embuste. Não havia nenhum fundamento a suspeita de que o Iraque fosse santuário para a Al-Qaeda.

Bastaram alguns meses de ocupação e evidenciou-se que a “doutrina Bush” era tosca, atrapalhada, mal planejada, violenta, interesseira e vil.
Milhões de pessoas marcharam pelas grandes cidades pedindo que não bombardeassem, não invadissem um país já empobrecido por um ditador. A Onu negou o seu aval. O Papa advertiu sobre os horrores de um possível massacre. Até eu protestei. Não adiantou. Bush estava assessorado pela pior laia.

Ele se considerava eleito para uma missão divina; imaginava-se escolhido de deus (assim, minúsculo) para exportar uma democracia Made in USA. Acreditou ser possível trazer paz na ponta de uma baioneta. Sua política externa, assimétrica, demagógica e hipócrita não tinha a menor chance de dar certo. Sobrava hipocrisia. Ficou claro que a força bélica americana agiria preventivamente, mas só em regiões que interessassem ao grande capital.

Outros ditadores, piores que Saddam, permaneceriam em seus postos. Bush fez vista grossa para outras regiões que violavam direitos humanos, produzindo pobreza. Ditadores sanguinários, desde que fossem aliados aos interesses do Império, podiam continuar administrando a fortuna da família.
O Oriente Médio virou um inferno. Osama Bin Laden não sobreviveu, mas a geração de extremistas que o sucedeu mostrou-se mais violenta.

O tênue equilíbrio que mantinha alguma convivência entre etnias, grupos religiosos e culturas, esboroou. Xiitas e sunitas se enfrentam, como nunca, em conflitos fratricidas. A frágil comunidade de cristãos, espalhada na Síria e no Iraque, foi praticamente dizimada. O mundo acordou para um pesadelo com fotografias de crianças, homens, mulheres e idosos desembarcando – ou mortos – em praias da Europa; todos fugindo com a roupa do corpo. Sem alternativa, jogam-se rumo ao desconhecido. Alguns chocam o mundo quando aparecem, remando com as mãos, em barcos à deriva.

O Mediterrâneo, as estações de trem e os novos campos de concentração revelam o quanto de desgraça aquela invasão ainda custará à humanidade.
Poucos sabem que grandes segmentos evangélicos apoiaram, abençoaram e incentivaram a tresloucada aventura do Bush.

Segmentos evangélicos mais alinhados com o conservadorismo, os moralistas, deram suporte espiritual ao presidente. “Afinal de contas, ele diz orar antes de tomar decisões”. Pastores deram entrevista à CNN nas vésperas da invasão. Colocaram-se a favor dos atos do sinistro Bush. Os três têm as mãos sujas de sangue inocente. Convém não esquecer o nome dos entrevistados: Max Lucado, John McArthur e Bob Jones.


A Bíblia adverte que um líder espiritual passa por mais severo juízo. Mesmo com tão dura advertência, não se ouviu qualquer mea culpa da parte deles. E mesmo que um dia expressassem genuíno arrependimento, não conseguiriam devolver os braços e as pernas do menino que também perdeu a família. Nenhuma lágrima apagaria os abusos de Abugraib. Reunião de oração, pedindo misericórdia divina para o Oriente Médio, não tem como devolver a vida de 4.000 soldados americanos e 90.000 civis iraquianos. A caixa de Pandora foi aberta. Agora o ISIS – esse sim – ameaça, sem freios, com a criação de um califado.

A médio prazo parece quase impossível sair desse labirinto. Enquanto interesses geopolíticos se misturam, Irã, Rússia, Israel, Jordânia, Líbano, Turquia e Curdos tentam demarcar território. O influxo de refugiados não deve cessar. Mesmo que igrejas, mesquitas e agências humanitárias se revezem tentando mitigar o sofrimento, serão um pingo d’água em um oceano de desespero. Quem se vê em meio a bombas – algumas proibidas – como de gás e de fragmentação, procurarão sempre fugir. Países como Arábia Saudita,

Qatar e Kuwaiti precisam entender a responsabilidade de mediarem a tensões regionais. Não adianta continuar sentados em uma montanha de petrodólares enquanto a morte, o terrorismo e a violência os cerca.

A nós, que herdamos essa realidade cruel, resta-nos cuidar, abrigar e oferecer uma nova chance aos que conseguem sobreviver. Ressurreição e recomeço, aplicados à nova realidade do mundo, deixam de ser termos piedosos, para se tornarem, agora, uma atitude humana.
Soli Deo Gloria


Ricardo Gondim é escritor e teólogo, presidente da Convenção Betesda Brasil. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 


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