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O deslocamento ocorreu no último final de semana com o objetivo de observar in loco as consequências provocadas pelo fogo e ouvir dos moradores prioridades para recuperação dos danos. O presidente da Funai, João Pedro, pode comprovar a magnitude do incêndio, que chegou a atingir 220 mil hectares, o que corresponde a metade da área indígena onde vivem comunidades da etnia Guajajara e grupos isolados Awá-Guajá.

 

No sábado (21), representantes indígenas das seis regiões que compõem a Terra Indígena (TI) Arariboia participaram de uma reunião, na aldeia Juçaral, com o objetivo de elencar ações emergenciais e produzir um plano de ação para a recuperação da área degradada. "Passamos por muito sofrimento e hoje não temos mais nada. Essa mata aqui acabou. Não temos nem as palhas para fazermos nossas casas. Precisamos de ajuda para fazer projetos, replantar os roçados e refazer as casas", disse o cacique Osmar Guajajara, da aldeia Guaruhu. O incêndio devastou regiões de mata, roças e destruiu casas de sete famílias Guajajara.

O presidente da Funai declarou que "este é o maior incêndio em terra indígena no país. Estamos aqui para juntar nossas forças e é muito importante contarmos com a união de vocês para levamos essa recuperação à frente juntos. Faremos um ampla articulação da Funai com as comunidades indígenas, o governo estadual e outros ministérios para fortalecer as ações aqui na Terra Indígena Arariboia".

 

João Pedro recebeu dos Guajajara um projeto de recuperação ambiental da terra indígena o qual se comprometeu a avaliar e dar encaminhamento. Emergencialmente, propôs disponibilizar madeira, assim como transporte para carregar os materiais necessários à reconstrução das casas; promover uma articulação com a Embrapa e o governo estadual a fim de fornecer sementes para o replantio das matas e roças, e com a prefeitura de Amarante para viabilizar a recuperação de estradas no interior da terra indígena; além de articular com o Ibama o fortalecimento do projeto Guardiões do Território Arariboia.

Esta semana, foi registrado novo ponto de fogo na parte sudeste da TI Arariboia. Brigadistas do Prevfogo foram deslocados para o local.

 

Projeto Guardiões

 

O projeto Guardiões do Território Arariboia surgiu de forma mais estruturada em 2014, apesar de sua ideia começar a ser trabalhada desde 2012. Ele conta com 48 indígenas das seis regiões da TI Arariboia, que realizam ações preventivas de proteção territorial, conscientização da comunidade e monitoramento da área.

No domingo (22), João Pedro visitou a aérea escolhida pelos guardiões para a construção do Centro de Saberes Tenetehara Cacique Xicão, em localidade próxima à aldeia Lagoa Cumprida. A intenção é que o local sirva para a fixação de uma base dos guardiões, impedindo a entrada de madeireiros, caçadores e outros invasores para o interior da terra indígena, mas também de cento de encontro para os Guajajara.

 

"O cacique Chicão foi o primeiro a falar sobre a necessidade de proteger esse território e proteger os índios isolados que vivem aqui. Naquela época, ele chamava os isolados de 'índios bravos', mas ninguém acreditava nele e diziam que estava ficando velho. Hoje a gente vê que ele estava certo e erguer esse espaço significa a realização desse trabalho que começou lá trás", relatou a liderança Sônia Guajajara.

 

O cacique da Lagoa Cumprida, Zé Lúcio, falou sobre a importância dos guardiões para a proteção e gestão do território Guajajara e Awá. "Queremos parcerias para fazer a gestão do nosso território. Eu e minha mulher também somos guardiões, nós nos sentimos guardiões porque lutamos para proteger nosso território e proteger os Awá isolados. Todos nós queremos essa terra livre. Livre de madeireiros, livre dos invasores".

 

Visita ao povo Krikati

 

Além de ouvir os Guajajara, João Pedro também esteve na aldeia São José, na TI Krikati para uma conversa com as lideranças sobre a regularização fundiária do território indígena que possui cerca de 144 mil hectares. No diálogo entre a Funai e o povo Krikati foi apontada a necessidade de ações mais eficazes para promover a gestão e vigilância da terra indígena.

 

Texto: Clarissa Tavares/Ascom.


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