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IMG 2074Esgoto sanitário vazando próximo ao lago pode comprometer as praias e até mesmo seus usos, além de doenças virais. Fotografia tirada dia 29 de novembro na quadra 1503 sul na alameda 23 proximo ao última rotatória diante um bueiro que acessa diretamente o escoamento das águas pluviais no Lago. Foto: Luiz Barbosa Aguiar/diariodotocantins.com.br

IMG 2094Além da falta de colaboração da comunidade com a falta de higiene que descartam todo tipo de sujeira pela cidade e lotes baldios,falta fiscalização com,maior rigor para punir os infratores pela Prefeitura Municipal.É comum essa cena na Capital. Foto:Luiz Barbosa Aguiar/diariodotocantins.com.br
O Ministério da Saúde divulgou no dia 28 o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRa). O indicador aponta que 357 cidades estão em situação de risco para a ocorrência de dengue, zika e chikungunya, pois nelas mais de 9% dos imóveis visitados continham larvas do mosquito. Já 1.139 municípios estão em situação de alerta. Isso significa que entre 1% e 3,9% dos imóveis locais tinham larvas. E 2.450 municípios foram classificados como satisfatórios por apresentarem percentual menor de 1% para presença de larvas.

O LIRa analisou dados de 3.946 cidades, entre o início de outubro e a primeira quinzena de novembro. O número é considerado recorde e decorre da resolução da Comissão Tripartite, que tornou obrigatória, no início deste ano, a disponibilização das informações.

Cerca de 1.600 municípios não realizaram ou não informaram o índice de infestação. Caso isso não seja feito até o dia 14 de dezembro, quando será publicado o relatório final, as cidades serão apenadas com a suspensão da segunda parcela do Piso Variável de Vigilância em Saúde, conforme pactuado na comissão.

Regiões

Em relação às regiões, o Nordeste foi a que registrou o maior número de municípios em situação de alerta: 41% dos que enviaram as informações. Depois vem o Norte (40,4%), Centro-Oeste (20,1%), Sudeste (19,32%) e Sul (13,66%). No Centro-Oeste e no Nordeste, o maior número de focos foi registrado em depósitos de armazenamento de água, como em toneis e barris. O ministério aponta que a questão da força as famílias a armazenarem água. De acordo com o ministro, Ricardo Barros, equipes estão em campo para informar a população sobre como fazer o armazenamento, sem gerar criadouros do aedes.

Brasília - O ministro da Saúde, Ricardo Barros apresenta os dados do Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) e a nova campanha de combate ao mosquito (Valter Campanato/Agência Brasil)
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresenta campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti no verão Valter Campanato/Agência Brasil


Capitais

Em relação às capitais, estão em situação satisfatória Macapá, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, João Pessoa, Teresina, Curitiba, Rio de Janeiro e Palmas. As que estão em alerta são: Maceió, Manaus, Salvador, Vitória, Recife, Natal, Porto Velho, Aracaju e São Luís. As demais, inclusive a capital federal, Brasília, ainda não enviaram as informações.

Mobilização da sociedade

Para que os alertas não se transformem em problemas reais, sobretudo ao longo do verão que se aproxima, o ministro Ricardo Barros convocou a população a cooperar. “Trata-se de mobilização e só se resolve o combate ao mosquito se cada um assumir a sua responsabilidade. Não há força pública capaz de eliminar todos os focos. A sociedade tem que assumir a responsabilidade e fazer o seu trabalho”, afirmou.

Ele alertou que “nós estamos convocando a população para cuidar da eliminação dos focos e incorporar a sexta-feira sem mosquito”, dedicando parte deste dia ao combate. “O ciclo de vida do mosquito é de uma semana. Se nós trabalharmos com determinação, nós vamos reduzir o número de mosquitos e a infestação”, acrescentou.

Para estimular o combate ao Aedes aegypti, o Ministério da Saúde apresentou nova campanha de prevenção e combate ao mosquito, intitulada “Um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você”. As peças apresentam histórias reais de pessoas que sofreram com as doenças e começarão a ser veiculadas em dezembro. A iniciativa demandou investimento de R$ 18 milhões.

Além das ações de sensibilização, a pasta fez investimentos na ordem de R$ 17,6 milhões para a aquisição de 250 veículos com fumacê e 650 equipamentos de nebulização de inseticidas. Eles despejarão os larvicidas pyriproxyfen e malathion. A compra deste último foi suspensa, pois, segundo o órgão, há estoque suficiente para abastecer o país em 2017 e 2018.

O malathion é um inseticida autorizado para uso no Brasil, mas pode causar efeitos cancerígenos conforme organizações, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Questionado sobre o uso da substância, o ministro disse que ela é segura, mas ressaltou que tem compromisso com outras estratégias que tenham como foco a promoção da saúde, como saneamento, e defendeu o estímulo a novas formas de combate. “Nós eliminamos a última compra e vamos iniciar esse incentivo para as novas tecnologias terem espaço para se desenvolver”, apontou.

Menor ocorrência de doenças

O diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT), Márcio Garcia, avaliou que a mobilização da população tem gerado conquistas. Ele apresentou dados que apontam taxas expressivas de diminuição. No caso da dengue, entre 2016 e a primeira quinzena de 2017, houve queda de 83,7%. A taxa média é de 116 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Neste quesito, o Centro-Oeste preocupa, pois registra 476 casos. Houve redução de 73% dos casos graves de dengue e de 82,4% de mortes.

O cenário da chikungunya também não é o mesmo. O número de casos caiu 32%. No Nordeste, ainda é alta a incidência. A região concentra 76% de todas as ocorrências contabilizadas pelo órgão.

A zika também tem afetado menos a população, o que, segundo Garcia, corrobora com a possibilidade de se encerrar a situação de emergência decretada no início de 2016. Houve queda de 92,1%, entre 2016 e 2017.

Devido à grande incidência nos anos anteriores e ao desenvolvimento de microcefalia, cerca de 3 mil crianças acometidas pela doença têm recebido Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para que elas recebam estímulos precocemente, foram instalados centros de reabilitação e qualificados profissionais em todo o Brasil.

Helena Martins - Repórter da Agência Brasil


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